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sábado, 16 de maio de 2015

Numa Galáxia FAR FAR AWAY? TRETAS!

Segundo um recente estudo há mais estrelas (apenas) na via láctea, a nossa galáxia do que grãos de areia no planeta Terra.

Há 70 septiliões de estrelas e 17 bilhões de planetas similares à Terra apenas na Via Láctea


Mas nesse caso porque ainda não recebemos nenhum sms dos extraterrestres?


Bom, talvez nunca tenha ouvido falar, mas o físico Enrico Fermi – prémio Nobel e inventor do reactor nuclear - tenta-nos explicar a razão porque ainda não recebemos esse sms, através do seu paradoxo.

O PARADOXO DE FERMI
este video simples e directo explica no que consiste o paradoxo



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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

irá a Inteligência Artificial levar à extinção da humanidade?


e como o fará acontecer?

A criação da Inteligência Artificial (AI) em Inglês, irá mudar tão profundamente a nossa maneira de viver que ela se irá tornar irreconhecível num futuro próximo. 

É concebível e mais que provável que a criação da AI irá fazer disparar exponencialmente o aumento da Inteligência. Assim que for possível à AI computacional o auto desenvolvimento, ela passará a criar continuamente novas versões mais aperfeiçoadas de si própria, resultando em avanços tecnológicos que acontecem tão rápido que serão totalmente incompreensíveis ao intelecto humano.

Com a nossa lenta evolução biológica não estaremos nunca capacitados para competir com a AI e seremos rapidamente relegados para 2º lugar.

O Dr. Nick Bostrom, director do Instituto Futuro da Humanidade, na Universidade de Oxford (uk), uma equipa de Cientistas, Matemáticos e Filósofos que investigam os maiores perigos na ascensão da AI, pensam que a superioridade única de um super computador é a forma mais provável duma forma de inteligência artificial e como os super computadores têm a habilidade de trabalhar 24 horas por dia todos os dias da semana sem parar, rapidamente terão acesso a uma imensidão de bancos de dados, conduzirão experiências extremamente complexas e até se replicarão a si próprios, e à medida que os super computadores regularem todos os aspectos da nossa vida do dia a dia as hipóteses de sermos extintos aumentam.


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155 anos antes do

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

WANDERERS - Viajantes-

É o titulo duma curta metragem que nos revela um futuro melhor e mais brilhante do que nunca, com visuais espectaculares e com a voz de Carl Sagan


"Sou atormentado por uma eterna atracção por tudo o que está distante.
Adoro navegar por mares proibidos e desembarcar em terras inexploradas".

Foram estas duas frases de Herman Melville em "Moby Dick", que conquistaram o coração do grande Carl Sagan.

É este romance com o desconhecido que impele e encoraja o Homem a explorar o cosmos, e esta atracção pelo desconhecido é também a motivação do animador e artista digital sueco Erik Wernquist, para a sua nova curta-metragem  "Wanderers".

Combinando visuais fantásticos de representações realistas de uma variedade de lugares no nosso sistema solar - gentilmente detalhado por Wernquist aqui - com as palavras, que prolongam e expandem para sempre a mente de Carl Sagan, extraídas de uma gravação áudio do seu livro "Pálido Ponto Azul" Wernquist convida os leitores deste livro a se interrogarem sobre o que poderá estar para além da nossa atmosfera e visualiza o que poderá ser, quando a humanidade um dia no futuro iniciar esta viagem. 

Tira quatro minutos ao teu dia para seres inspirado por esta excepcionalmente bela criação que te deixo já aqui em baixo.



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Será o Universo infinito?

Abrandem por uns minutos!





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As Partículas Elementares III

Frequentamos as pessoas durante anos, por vezes dezenas de anos, habituamo-nos pouco a pouco a evitar as questões pessoais e os assuntos realmente importantes; mas conservamos a esperança de mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis...


terça-feira, 23 de setembro de 2014

VALIDATION - SORRIR


Costuma sorrir? Quando está em baixo, já tentou "forçar" um sorriso para mudar os seus sentimentos?

Será que isso funciona? Já conseguiu ter um impacto positivo noutra pessoa, simplesmente por lhe dedicar um sorriso?


experimente!

HOJE!

Doc Dumoc aconselha!

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domingo, 21 de setembro de 2014

O tempo líquido das redes sociais


O sociólogo polaco Zygmunt Bauman diz que vivemos num tempo que nos escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir.



Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário.

Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e perde-se no consumismo imediato.

A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.


Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio.

Perdeu-se a profundidade das relações; perdeu-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar.


Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum.


Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protector, vivenciamos uma absoluta exposição.

Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido.

Vivemos um tempo de secreta angustia.





Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem minando as relações, tudo se torna vacilante, 




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Luzes Tóxicas


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Particulas Elementares I


A competição económica, metáfora de apropriação do espaço, deixa de ter razão de ser numa sociedade rica, onde os fluxos económicos foram já dominados.

A competição sexual, metáfora em termos de procriação da apropriação do tempo, deixa de ter razão de ser numa sociedade na qual a dissociação, 
sexo–procriação foi perfeitamente realizada.

O sexo uma vez dissociado da procriação, subsiste menos como principio de prazer do que como principio de diferenciação narcísica.




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Quasi Immortals





Os seres humanos já alteraram tanto o planeta, e se persistirem no actual caminho a sua extinção é uma possibilidade real .

Mas se por outro lado aplicarem soluções sustentáveis aos modelos de vida das suas sociedades modernas, então, pelo menos parte da civilização humana, poder-se-á tornar quase imortal

domingo, 22 de junho de 2014

UMA MULHER ENTRE AS SUAS SOMBRAS

Há empresas que estão a obrigar as suas funcionárias a assinar por escrito o compromisso de que não irão engravidar nos próximos cinco anos.


Notícia de, 18 de Junho de 2014. Sim, a gravidez das mulheres continua a dar problemas, problemas que eram morais e culturais e que a modernidade e o desenvolvimento transformaram em problemas laborais e económicos.

É bastante acerca disto que fala este post.


sábado, 21 de junho de 2014

ARTE E LOUCURA

A vida futura que terminamos de criar é precocemente antiga bem como uma paixão triste. Algo como: “os beijos não são importantes, no teu tempo nem haverá beijos”



terça-feira, 27 de maio de 2014

Podemos viver sem ler

"Podemos viver sem ler, é verdade; mas também podemos viver sem amar: o argumento mete água como uma jangada conduzida por ratazanas.



Só quem já esteve apaixonado sabe o que o amor oferece e tira; só quem já leu sabe se a vida merece ser vivida sem a consciência daqueles homens e mulheres que nos escreveram milhares de vezes antes de termos nascido.



E que ninguém sorria perante estas linhas. Por uma vez, e sem que sirva de precedente, foram escritas exclusivamente a partir da emoção."

In “O Revisor“, de Ricardo Menéndez Salmón

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Gifts of Unknow Things by LYALL WATSON

Cada célula num corpo e cada molécula e cada átomo nessa célula encontram-se num estado de vibração constante.

Ao vibrarem provocam pequenas oscilações (perturbações) locais. Essa oscilações somam-se umas às outras e produzem suficiente energia para conseguirem mudar as propriedades do campo eléctrico e magnético do espaço que ocupam, e as “notícias” destas mudanças viajam à velocidade da luz para outros espaços.

Devido às nossas constituições serem todas diferentes, ressonamos, cada um de nós, numa frequência particular que é tão pessoal como a nossa impressão digital.

Como humanos, nós somos suficientemente parecidos uns com os outros, ao ponto de assegurar que as nossas transmissões pessoais ficam todas dentro duma largura de banda que pode ser recebida pelos outros indivíduos da nossa espécie.

Todos os sistemas biológicos, estão desta maneira, em constante comunicação uns com os outros e com o mundo exterior que os envolve.

Somos todos, unidades de radar. Os nossos corpos emitem grandes quantidades de energia nas mesmas altas-frequências, que a maior parte dos transmissores de radar, também utilizam.

Nós irradiamos micro-ondas mais ou menos duma largura (comprimento de onda) comparável à da unha do polegar.

Conjuntos destas ondas exploram tudo na nossa vizinhança, pelo que a todo o instante, quando estamos com outras pessoas, estamos inconscientemente, sondando-as e, ao mesmo tempo, a ser tocados por sua vez pelas suas transmissões.

Se colocarmos detectores sensíveis à volta dum corpo vivo, estes detectam as suas emissões e provam que estas radiações se alteram à medida que as variações fisiológicas vão ocorrendo. Uma pessoa doente produz uma emissão menos potente que uma pessoa saudável; um corpo normal produz emissões extra sempre que experimenta uma emoção forte. Mesmo com os relativamente pouco sensíveis detectores que se usam hoje em dia é possível detectar estas variações a cerca de 100 m de distância.

O nosso poder de emissão é limitado pelo facto do corpo humano ser (comparativamente) uma fraca fonte de energia. O nosso sistema nervoso, contudo, tem muitas das mesmas propriedades semicondutoras de um transístor e consegue amplificar, pequenos e fracos sinais, tanto quanto, um milhão de vezes.

Isto transforma-nos em receptores muito sensíveis, perfeitamente capazes de captar sinais à distância. Teoricamente, não existe nenhuma razão para não sermos capazes de detectar mensagens vindas de organismos semelhantes que se encontrem a muitos quilómetros de distância, possivelmente mesmo fora do nosso horizonte visual e talvez mesmo quando esses transmissores estejam na parte oposta do planeta.

Se todos possuímos um pouco desta sensibilidade, então, isso pode ser a resposta àquela sensação desconfortável, que por vezes temos, de estarmos a ser observados - e quando nos voltamos, repentinamente, descobrimos que de facto isso era verdade.

Na Universidade de Delaware, macacos rhesus, foram olhados fixamente por humanos, que eles não podiam ver. Os observadores, espreitavam-os simplesmente, através de fendas, a intervalos irregulares, e cada vez que o faziam provocavam mudanças distintas nos seus padrões de ondas cerebrais, e em breve os macacos começaram a ter um comportamento depressivo.

Num estudo comparativo com humanos, descobriu-se que uma pessoa que é espreitada muitas vezes tem tendência para ter um ritmo cardíaco mais elevado do que uma que o não é.

Este desenvolvimento, que está a captar muito interesse científico e à beira de produzir novas e importantes descobertas, parece apoiar a teoria telepática, o que ainda até há bem pouco tempo era considerado meramente especulativo e apoiada exclusivamente por pessoas com menos entraves intelectuais daqueles que a ciência pré quântica tinha estabelecido.

É importante que se recorde que fenómenos desta natureza, de maneira nenhuma são novos e têm sido registados ao longo das eras, a maior parte das vezes catalogados na categoria do sobrenatural.




 LYALL WATSON

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Gayatri Mantra



terça-feira, 6 de maio de 2014

De todas as coisas ridículas o mais ridículo, parece-me ser , estar ocupado - para se estar apenas vivo pela comida e pela obra.

Feliz aniversário, Kierkegaard: O primeiro filósofo existencial na nossa maior fonte de infelicidade

A esperança, a memória, e como a nossa compulsão crónica de fugir das nossas próprias vidas, nos rouba a vida.


sábado, 29 de março de 2014

Um cérebro, dois comandantes.

Alguma vez imaginou o que realmente está acontecendo na sua mente quando está  num encontro amoroso?

Este filme mostra-nos a forma como o nosso cérebro funciona quando estamos desejosos de conquistar o nosso amor.
A ansiedade aumenta pois todos sabemos que não existe nunca uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

É interessante como a nossa função, do hemisfério cerebral esquerdo, e do hemisfério cerebral direito, podem ser contraditórias quando se trata de tomar decisões e agir.

A maioria de nós já deve saber que o lado esquerdo do cérebro controla o nosso pensamento racional, que nos diz para sermos lógicos e organizados, o lado direito do cérebro orienta-nos mais de acordo com as nossas emoções e criatividade.

Obviamente, não há um melhor ou pior, pois precisamos de ambos para viver.

No entanto as posições extremas de cada hemisfério podem não deixar margem e vir a arruinar todos os nossos esforços e intentos de alcançar o que desejamos.

Um equilíbrio harmonioso entre os dois hemisférios cerebrais é a chave para o sucesso, o que é muito mais fácil de dizer do que fazer acontecer, claro.




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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um voto para 2014


"Uma criança nascida hoje vai crescer sem qualquer conceito de privacidade. 

Nunca saberá o que significa ter um momento privado, um pensamento não gravado, não analisado.

E isso é um problema porque a privacidade é importante, a privacidade é o que nos permite determinar quem somos e quem queremos ser."



Estas são palavras retiradas da mensagem de Natal de Edward Snowden, solicitada e emitida pelo Channel 4. São palavras que revelam a realidade terrível em que todos, sem excepção, vivemos.




Impõe-se uma pergunta: Não há nada que possamos fazer para recuperarmos a nossa própria vida? 

Snowden diz, nessa mensagem, que sim, que há:

"a discussão que há hoje irá determinar a confiança que podemos ter na tecnologia à nossa volta e no Governo que a regula (...)

Juntos, podemos encontrar um equilíbrio melhor, acabar com a vigilância em massa, e lembrar ao Governo que se quer saber como nos sentimos, perguntar é sempre melhor do que espiar"






Esse é também o meu voto para o ano que vai começar.
Nota: Não tendo ouvido
 a mensagem a que me refiro, as citações são de notícias lidas em jornais (por exemplo, esta).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

AS FESTAS DE FIM DE ANO E A VELHA TRISTEZA

Alguma tristeza no fim do ano? Muitas pessoas dizem sentir uma tristeza, aparentemente, inexplicável no final do ano. Será que essa tristeza não nos está a querer dizer algo?
Não são poucas as pessoas que dizem sentir uma espécie de tristeza inexplicável quando chegam as festas de fim de ano. Nas lojas, nos escritórios, nos grandes centros comerciais e avenidas, as decorações explodem num espectáculo de luzes para nos alertar da iminência do incontornável Natal.





Há muito o Natal deixou de ser apenas um dia no calendário cristão, em que se recordaria o nascimento de Jesus, para ser um dia exaustivamente comercial – o que também não é novidade.


Mas nada disso pode responder à pergunta: 




de onde vem a tristeza que experimentamos?

E mesmo que tentássemos definir isto ou aquilo, na verdade, em cada um deve haver um motivo específico, mesmo que desconhecido, para que esse sentimento seja assim tão latente. 

Algumas coisas, no entanto, são verdades que preferíamos, quem sabe, não saber.

Nossa geração, infelizmente, entregou-se à superficialidade extrema, à pouca reflexão e ao sabor da vida de consumo.

e quanto a isso também parece haver total consenso entre todas as pessoas e os pensadores contemporâneos.

Por outras palavras, por mais difícil que seja concordar, as festas de fim de ano tornaram-se, apenas, momentos pré-estabelecidos para presentearmos, obrigatoriamente, talvez, nos reunirmos em família, e fazermos algumas reflexões que, durante a ligeireza de cada ano, não conseguimos fazer.

Nessa época, é inevitável não pensarmos, por exemplo, no valor da família, na fé, ou mesmo das pessoas que amamos.

Aos que se dedicam um pouco mais à reflexão certamente se lembrarão daqueles que, sem a presença deles, não teriam conseguido muita coisa.

Retomamos assim sentimentos que tantas vezes, ao longo do ano, não podemos expressar, por falta de tempo ou porque simplesmente nos esquecemos.

A gratidão, a generosidade, a gentileza etc., estão na lista para serem lembradas, e será que não ficamos em dívida com alguém?

Do outro lado, o balanço de como foi o nosso ano, sob a fúria do homem contemporâneo por se superar a si mesmo o tempo todo, pode também trazer grande frustração.

Resultados são tudo que se espera ao balancear a vida, como se ela pudesse ser equacionada em índices de qualidade inventados por outras pessoas que nem sequer nos conhecem.

Na verdade, será que a tristeza sentida pelas pessoas nessa época não seria alguma – mesmo que pequena – crise de consciência? 

Não que sejamos maus, não, mas por termos perdido oportunidades de sermos pessoas melhores ao longo de todo o ano, e o Natal, assim como o Réveillon, são épocas a nos mostrar que os homens, ironicamente, também são humanos.

Estas são épocas que urgem que estejamos juntos - não isolados -, em que, inevitável é, nos reunirmos para celebrarmos nossa humanidade.

Será que nos esquecemos de que somos humanos? Pois humanos sentem e precisam de outros humanos o tempo inteiro, não apenas no final do ano.

Se alguém duvida disso, mesmo aqueles que veneram o isolamento e a solidão, certamente não conseguiriam sequer pensar como seria viver no mundo sem outro semelhante – seria irreal.

A própria arte tem nela essa capacidade urgente de lembrar ao homem que ele é homem, portanto dotado de sensibilidade.

Com certeza, se durante o resto do ano, olhássemos constantemente para dentro de nós, essa coisa que não tem nome, que é o famoso 

"quem sou eu"

aquilo que está no íntimo do ser humano, que sente e, por isso, considera o outro como alguém que também sente,

sem dúvida que no final de cada ano, ao fazermos qualquer balanço ou reflexão sobre como agimos, poderíamos em lugar de alguma tristeza inexplicável sentir alguma alegria consciente.

de um ano bem vivido, de sentimentos bem vividos.

Se nos resta algum consolo certamente são os próximos dias do ano que está prestes a começar.

São infinitas oportunidades de fazer com que a vida não seja apenas um fluxo, uma invenção de vida feliz ditada por outros ou por lógicas como o progresso e o consumo.



mas que em vez disso. ela seja algo fascinante que, ao reflectirmos sobre ela, nos faça querer tragá-la uma vez mais, uma vez mais, uma vez mais...


RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



BOM ANO NOVO



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domingo, 10 de novembro de 2013

Alone Together



Sós


Um livro recente, da psicóloga Sherry Turkle, tem o sugestivo nome


"Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other".

Sherry Turkle


É um livro que chama a atenção para um paradoxo que já me tinha dado conta: nunca tivemos tantos e tão ricos meios de comunicação e no entanto nunca vivemos tão sós.

Começo por admitir que sou eu  próprio, um ciberfanático com dezenas de contas em redes sociais e que vivo imerso em tecnologia quase 24h por dia.

Mas há qualquer coisa errada com a tecnologia. Ou melhor, com a forma como a tecnologia está a transformar radicalmente as pessoas e sua socialização.



Era suposto a tecnologia melhorar o mundo e a sociedade. E em muitos aspectos isso aconteceu e continua a acontecer a uma velocidade vertiginosa.


Mas não tenho tanta certeza que a tecnologia nos tenha tornado melhores pessoas e em sociedades melhores (o que seja que isso significa).




É o lado humano da questão que me preocupa.

Um dia observei algo que me fez repensar a minha perspectiva da tecnologia e o seu efeito nas pessoas.

Numa sala com vários adolescentes, vi-os a olhar a cada 20 segundos para o seu telemóvel ou smartphones (talvez enviando tweets, emails, SMS ou a "checkar" o status do Facebook).

Nem foi tanto isso que me surpreendeu, mas o silêncio de cortar à faca que se fazia sentir. Aquele cenário fez-me calafrios, como se estivesse num filme de terror em que os jovens à minha frente fossem todos reféns de uma força obscura maligna que quisesse dominar o mundo.

Aparentemente, pelo menos na sua perspectiva, eles estavam a socializar-se: a partilhar o seu status no Facebook, a enviar fotos para o Instagram, a enviar talvez um SMS ao amigo ao lado a dizer o quanto se estava a divertir.

Mas eu não os via assim. Eu via-os sós, completamente sós.



Há várias formas de solidão, e considero até que a solidão é não só saudável como indispensável para uma adequada socialização. Uma solidão que nos faça reflectir nos nossos valores e atitudes. Uma solidão incomodativa que questione as nossas crenças e incorpore os outros na nossa perspectiva.

Mas aquela não era esse tipo de solidão. Era uma solidão produzida pelo medo de estarem sós. A solidão do pior tipo e um completo paradoxo. Eles não queriam estar fora da "onda", fora das redes sociais, fora da enxurrada de SMS sem sentido e totalmente vazios de conteúdo. Eles queriam estar lá onde "se passava a acção". E estavam.

Só que ao estar "lá" não estavam "cá".