terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Afinal o que importa

Afinal o que importa não é a literatura

nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante

— ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao
precipício

e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola

antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome

Porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo

de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:

Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo

à saída da pastelaria, e lá fora — ah, lá fora! — rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra



Mário Cesariny



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

um espirito livre: Manuel Serra

Sempre foi um Espírito LIVRE de riso franco e aberto.

Morreu domingo 31 Janeiro 2010

Descansa em paz

Nobre Guerreiro



Tive muito gosto em te ter conhecido, Manuel

Ouvir as tuas magnificas histórias,

Aprender e sonhar contigo a liberdade.

Não esquecerei, nunca, o teu riso.





Manuel Serra 1932 - 2010




Nós os que para aqui ficamos

entre lágrimas, desertos e porquês,

separados daqueles que amamos

em lista de espera prá nossa vez.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti, o Terramoto e "deus" ou Between God and a Hard Place

A História dos homens é a História dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

James Wood escreve sobre Deus e o terramoto no "New York Times" de hoje.Começa assim:

"In the 18th century, the genre of “earthquake sermon” was good business. Two small shocks in London, in 1750, sent the preachers to their pulpits and pamphlets. The bishop of London blamed Londoners’ lewd behavior; the bishop of Oxford argued that God had woven into his grand design certain incidents to alarm us and shake us out of our sin. In Bloomsbury, the Rev. Dr. William Stukeley preached that earthquakes are favored by God as the ultimate sign of his wrathful intervention.Five years later, when Lisbon was all but demolished by an enormous earthquake, the unholy refrain was heard again — one preacher even argued that the people of Lisbon had been relatively fortunate, for God had spared more people than he had killed. It was the Lisbon earthquake that prompted Voltaire to attack Leibniz’s metaphysical optimism, in which all is for the best in the best of all possible worlds. Theodicy, which is the justification of God’s good government of the world in the face of evil and pain, was suddenly harder to practice. But the preachers kept at it. “There is no divine visitation which is likely to have so general an influence upon sinners as an earthquake,” wrote the founder of Methodism, John Wesley, in 1777."
Ler o resto aqui http://www.nytimes.com/2010/01/24/opinion/24wood.html?th&emc=th

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Encontro Nacional de Profissionais e Amigos da Animação


Montemor-o-Novo, 23 e 24 de Janeiro de 2010Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Faria

Dodu o rapaz de cartão


“Dodu – O Rapaz de Cartão” realizada por José Miguel Ribeiro e escrita por Virgílio Almeida,

a mesma dupla de “A suspeita” e “Um Passeio de Domingo”, e que se encontra actualmente em pré-produção.

Segundo Virgílio Almeida, esta é uma série pensada para crianças até aos 5 anos e respectiva família, que conta as histórias de Dodu, um rapaz de cartão, que ao lado da sua amiga,uma joaninha, viajará pelos fantásticos universos da sua imaginação.

A série é feita inteiramente com cartão reciclado (excepto a joaninha que é uma carica)e a sua finalidade principal consiste no desenvolvimento da inteligência emocional das crianças.

Não recorre a diálogos mas apresenta uma partitura musical muito marcada que se encontra a cargo do compositor Fernando Mota, o qual não só explora
instrumentos musicais de vários continentes como cria alguns dos seus instrumentos.

A série foi recentemente seleccionada para o “ Fórum Cartoon 2009 ” realizado na Noruega naquele que é um dos mercados mais importantes da indústria de cinema de animação europeia recebendo críticas muito favoráveis por parte de várias produtoras televisivas entre as quais

Nickelodeon Walt Disney BBC Children

Dodu – O Rapaz de Cartão - aparenta ter tudo para singrar
não só a nível nacional como internacional no mundo da animação

Eu tenho a honra de fazer a direcção de fotografia.


domingo, 8 de novembro de 2009

ANTI VIRUS Europeu para liberdade na Internet


UE autoriza corte de acesso à Internet sem ordem judicial.

O texto define ainda que essas medidas podem ocorrer apenas como resultado de um "procedimento prévio, justo e imparcial", que garanta "o direito [ao visado] a ser escutado" e ainda "o direito a uma revisão judicial eficaz e oportuna".


Ou seja, é possível o corte do acesso à Internet, sem uma ordem judicial prévia, ao contrário do que agora acontece.A directiva tem de ser transposta para todos os países da EU até final de Maio de 2011.


Nesta “democrática” Europa é necessário uma ordem judicial para tudo o que mexa com corrupção, mas parece não ter a mesma opinião quando se trata de liberdade de expressão.


Por cá, estou certo que o Engenheiro está interessadíssimo em que entre rapidamente em vigor.


(original do WEHAVEKAOSINTHEGARDEN )

domingo, 12 de julho de 2009

Head Sunset

acrylic 140 x 90


«Falas de civilização, e de não dever ser.
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos os que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!»

- Fernando Pessoa (disfarçado de Alberto Caeiro)